Lua De noite contemplo-te na praia Descalça de ressentimentos Nua de falsas razões Quero-te e por isso estendo a mão Agarro o ar pois tu estás alta E eu perpétua me mantenho sem te alcançar Tento perceber-te mas esgoto os pensamentos És material sem conceito informal És matéria rochosa mas também espiritual Sinto-te por isso sei que és mais que rocha És etérea como o anjo que me acompanha Esse anjo que em mim vive, vive em ti também Atrais-me com os teus raios nocturnos Eu não resisto e por isso deixo-me ir Mas tu és pérfida pois só me levas a meia passagem Encantas-me e em ti me enfeitiço como as marés Esvazio na tua ausência mas atulho com a tua chegada És preguiçosa pois só vens à noite quando tudo já dorme Menos eu que contigo não durmo pois me inquietas Adormeço no dia claro esperando a noite serena És sedutora pois nem sempre te mostras cheia E eu impávida de desejo espero pelo teu auge Culminas e eu em ti renasço das cinzas Como quem em vez de morrer nasce…. Patricia Diogo